Então… eu comecei a escrever um livro…

…didático de Química. (não, eu não sou uma pessoa criativa a ponto de criar histórias e personagens interessantes)

Gui C de Souza
7 min readSep 20, 2019

Eu gosto muito de livros didáticos. Adoro ver as diagramações, as ilustrações, as cores, as fontes. Eu poderia passar um bom tempo vendo livros didáticos de qualquer matéria escolar. Inclusive, na escola em que eu trabalho, tá cheio de livro novo de 6º a 9º ano (pra análise dos professores do ensino fundamental) e eu não consigo me segurar e fico folheando sempre que vou à biblioteca.

Esse não é o meu livro, é um de uma das coleções do PNLD 2020. Apenas tirei print do livro digital que tem no site da editora.

(Inclusive, agora todos os manuais do professor são “em U”, como na imagem ali. Achei uma ótima ideia, espero que todos os livros do ensino médio venham nesse esquema no ano que vem.)

Folhear livros didáticos foi meio que o pontapé pra eu aprender por conta própria aspectos de tipografia, diagramação, Adobe InDesign (que foi porta de entrada pra outras drogas mais pesadas, como o After Effects).

E desde que eu comecei a estudar Química, eu tenho uma vontade de escrever algum tipo de material didático (aliás, teve uma vez que eu quase topei um trabalho desse, mas eu não conseguiria conciliar com as aulas). Há muito tempo atrás, quando eu era um jovem inconsequente (nem de longe) eu comecei a esboçar um livro “meu”.

“Meu”, entre aspas, porque era bem nítido (exceto pra mim, na época) que era um monte de cópia de outros livros, só que com palavras adaptadas, reescritas e tal. (Eu era um jovem incauto.) Eu fiz aquilo mais pra brincar com diagramação (foi por essa época que eu comecei a mexer com InDesign).

Obviamente esse “meu” livro nunca foi pra frente. Mas a ideia persistiu.

Até que recentemente ela ficou mais forte. Mentira, não foi tão recentemente assim, foi no começo de dezembro de 2018. Eu tô tentando fingir que foi bem recente a ideia porque só agora, em setembro de 2019, (spoiler:) eu tenho o primeiro capítulo pronto.

Enfim, eu resolvi escrever o meu livro de Química. Agora sem aspas no “meu” (exceto essas). Botei a cabeça pra funcionar e comecei a escrever, claro, usando várias fontes de consulta, porque nada no livro é tão inédito assim, mas dessa vez sem ser um plágio disfarçado. (Eu era jovem…) Hoje eu sei que plagiar é uma merda foda (e um crime, claro).

Eu estava pensando em mostrar pras pessoas da internet quando eu tivesse pelo menos uns três capítulos prontos, mas eu fiquei ansioso e queria feedback, então resolvi mostrar o primeiro capítulo no Issuu, há um tempo atrás.

Mas agora eu organizei o meu site o suficiente pra ter um leitorzinho de PDF lá nele mesmo, então você pode conferir o livro em

http://guicdesouza.com.br/livro

Aprecio muito o tempo que você gastar lendo e ficaria contente caso você me desse um feedback sobre o livro. Pode ser aqui nos comentários do Medium, ou pelo Twitter (você provavelmente veio pelo link que eu postei lá). Se tiver algum erro no texto, me avise! Revisar o próprio trabalho tem um limite, e eu tento evitar errinhos ao máximo, mas provavelmente escapou alguma coisa.

Agora, algumas considerações que você não deve estar se questionando mas eu vou informar mesmo assim:

Perguntas que talvez se tornem frequentes

Quando o livro fica pronto?

Nunca.

Mentira. Eu não sei. Vai demorar, porque todos os meus projetos demoram (os vídeos da BGS são prova).

Então é só o que tem aí e só Deus sabe quando sai o resto?

Não é bem assim. Eu quero ir postando os capítulos à medida que eu considerar prontos. O que não tem uma data definida é o livro completo… mas também os capítulos não têm datas definidas de conclusão, então né…

O que vai ter no livro?

A princípio, o conteúdo do ensino médio. Eu tenho um esboço de sequência didática que talvez mude no caminho, mas a ideia é cobrir química geral, inorgânica, orgânica e físico-química.

Além do texto principal () e suas notas laterais (algumas específicas, outras engraçadinhas, enfim), a ideia é ter quadros com textos complementares sobre aplicações da Química, ideias de experimentos, curtas biografias de cientistas…

O que eu já adianto que por enquanto eu não tenho planejado: exercícios. Eu quero desenvolver bastante o texto dos capítulos antes de colocar exercícios.

Quantos volumes vai ter?

Um.

Quantos capítulos vai ter?

Por agora, a ideia é que seja de 30 a 35.

O livro vai se chamar “Livro de Química do Gui C de Souza” mesmo?

Óbvio que não. Eu tenho um nome em mente pro livro, que achei bem bacaninha, mas eu tô com um pé atrás de colocar ele agora, pelo menos por enquanto. Mesmo o nome não sendo algo tão padrãozinho (você vai entender quando vir o nome e o logo), aquele 1% de mim pensa “e se um desgraçado tentar fazer um projeto com o mesmo nome?”

Eu pensei em registrar o nome na Biblioteca Nacional (e aí dá pra criar ISBN e tal) mas, apesar de ser barato (acho que é uns 20, 30 reais), tem que estar com o livro pronto, e eu não posso registrar só o título. Eu até pensei em registrar na base do INPI e tal, mas é mais caro.

Aceito sugestões de ideias de como reservar o nome pra mim (já pensei até em hospedar esta página num Wayback Machine da vida e usar como prova, “tá aqui ó, setembro de 2019, num vem copiar meu título não!”)

O livro é de graça?

Sim, só subir a tela aí um pouco e ler, ué.

Rispidez à parte, eu sinceramente não acho que esse livro seja uma puta coisa inédita e inovadora… é um livro de Química, os conceitos já foram estabelecidos há muito tempo. O que vai mudar é o jeito de escrita, a ordem dos conteúdos, então particularmente não acho que isso deva ficar atrás de um pagamento obrigatório.

Mas, quando o projeto estiver mais desenvolvido, eu pretendo colocar um link de doação (tipo aqueles “pague um café pra mim”, sabe?). Não vou fazer crowdfunding, porque (1) tenho certeza que não seria financiado, (2) mesmo que fosse, eu não quero uma pressão toda pra entregar, e (3) eu não quero entregar algo pela metade só pra cumprir prazo.

Mas você pretende vender o livro?

Provavelmente não. Eu quero, ao longo do projeto, estabelecer um tipo de licença de uso e distribuição (tipo Creative Commons), que permita que as pessoas espalhem o livro (mas sempre atribuindo a mim e não alterando), mas que se um dia eu quiser vender isso pra uma editora, aí eu possa fazê-lo sem problemas.

Eu sei, é tentar abraçar o mundo com as pernas, então não defini ainda. Aceito sugestões.

Ah, apesar de (ainda) não ter nenhuma licença de uso explícita nesse primeiro capítulo, não é pra sair copiando e falando que é seu, hein! Bota um linkzinho pra cá, pelo menos.

Vai ter versão impressa?

Se tiver, vai ser só quando estiver pronto. E provavelmente só pra mim.

Ele deve ficar bonito no papel (eu espero), mas é um gasto muito grande. Eu tenho certeza que não haveria demanda. E além disso, enquanto ele for digital, eu tenho a liberdade de alterar erros de digitação e informações incorretas bem facilmente. (Inclusive, você percebeu o “versão 0.1” no rodapé? Eu quero fazer até changelog desse livro.)

Você pretende usar seu livro nas suas aulas ou espera que alguém use nas aulas que ministrar?

Não. A linguagem dele, apesar de ter um rigor conceitual, não deve se encaixar perfeitamente nos padrões bonitinhos de um livro aprovado pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). Não que no livro haja palavrões (como há nesse texto, inclusive peço perdão pelo vacilo), mas ele vai ter uma ou outra piadinha bobinha por capítulo, pelo menos.

Sou estudante, posso jogar fora meu livro da escola e estudar só pelo seu?

Claro que não né. Ele está incompleto, e por enquanto o texto dele vai ter umas coisas faltando (como ilustrações próprias, exercícios) seja por falta de tempo ou de recursos.

Sou seu aluno/sua aluna, posso estudar pelo seu livro além das aulas?

É… Talvez??? Eu acho que sim, se você se sentir confortável…

É sempre bom estudar além da sala de aula, e se você estiver com esse interesse, admiro muito. Mas, na data em que eu escrevi este texto (20 de setembro de 2019), o livro só tem o capítulo 1 pronto e esse conteúdo já foi dado nas minhas aulas no começo do ano, então não sei se vai te ajudar.

Você que fez a diagramação, o design e a tipografia?

Sim. Espero que esteja top.

Todos os capítulos vão ser vermelhos?

Não. Também tem laranja, amarelo-mostarda, verde-lima, verde, verde-água, azul-turquesa, azul, roxo e rosa.

Ainda estou pensando se divido o livro em dez unidades (blocos de capítulos), cada uma de uma cor, ou se deixo só os capítulos, sendo que os com final 1 seriam vermelhos, final 2 seriam laranja, etc. (Provavelmente vou fazer dez unidades.)

Ah, e os apêndices vão ser marrons.

--

--

Gui C de Souza

Protoprofessor de Química e pseudoeditor de vídeo que arrisca uns motion graphics.